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Audiência vira fiasco pago com dinheiro público

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manoeljunior17072010Deputado Manoel Júnior dá largada para a busca de soluções adequadas à realidade das comunidades brasileiras no exterior

AGÊNCIA AMAZÔNIA
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BRASÍLIA – A audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para discutir o projeto de lei que prevê maior assistência consular aos brasileiros no exterior foi uma verdadeira peça teatral, conforme previu o advogado Paulista Maurício Gomes Pinto no requerimento protocolado semana passada na CREDN, pedindo a destituição do deputado Walter Ihoshi da relatoria do Projeto por motivo de suspeição e outras razões que explicitou.

O deputado de ascendência nipônica articulou, ao melhor estilo da política coronelista, para prejudicar o projeto. Na condição de suplente da Comissão e com o intuito de se fortalecer perante sua base eleitoral (formada pela Comunidade Decasségui radicalmente oposta à aprovação do texto que, amparada pelo governo japonês, goza de ampla segurança laboral e de status imigratório legal), o parlamentar, convenientemente, requereu a redistribuição da proposta para a CREDN e praticamente avocou a relatoria da proposição em detrimento do interesse comum da maioria dos imigrantes brasileiros no exterior.

Não contente com a relatoria, o deputado solicitou a realização de uma audiência pública e convidou apenas pessoas com o mesmo ponto de vista, ou seja, engendrou uma organização intitulada “Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior”, cujo núcleo é decasségui. Ihoshi também evocou o apoio de uma denominada “Frente parlamentar Brasil-Japão”, por ele presidida, e que de fato existe apenas no papel, pois, até onde se sabe.

Sessão com apenas 4 depoentes

Apesar de a Comissão ser composta por dezenas de membros, apenas três deputados, além do relator, participaram da “audiência”. Imediatamente após o término da sessão, Ihoshi postou no twitter comentário ambíguo ressaltando que “todos” os parlamentares que compareceram ao ato foram contrários ao projeto, estimulando os meios de imprensa decasséguis a divulgarem a informação com indecorosa omissão da real circunstância do encontro.

Curiosamente, Ihoshi “esqueceu-se” de mencionar que o autor do projeto, deputado Manoel Júnior, estava presente, mas não se olvidou de instar o inexperiente secretário do Itamaraty a reiterar que o MRE era contra a proposta.

Walter Ihoshi declarou posteriormente que “a culpa da não convocação de todas as correntes ou partes envolvidas na proposição deveu-se aos membros da Comissão, que não indicaram ninguém”.

samuelsaraiva201109Direitos de brasileiros no exterior precisam ser resguardados

Para Samuel Saraiva, idealizador do projeto, a justificativa simplista de Ihoshi traz em seu bojo o desprezo aos princípios básicos da democracia e revela a falta de interesse do relator em discutir o assunto de forma justa e imparcial. Ele ressalta que a convocação de brasileiros que enfrentam uma dura realidade no exterior teria sido digna e legítima, pois muitos deles já perderam parentes e estiveram presos sem nenhuma assistência jurídica, ficando totalmente desamparados e sem saber a quem recorrer. Isso para citar apenas dois exemplos das mazelas a que estão expostos.

“A verdade é que o trabalhador, que constitui a parte majoritária e vulnerável das forças produtivas do Brasil no exterior, não possui seguro e são abandonados à própria sorte. Essas pessoas poderiam, através de seus depoimentos, mostrar o lado penoso dos que não dispõem de nenhum tipo de auxílio e o quanto sofrem ao se depararem com algo inesperado, sem ter alguém que possa ajudá-las. Com a implementação da lei, estariam amparadas”, diz Saraiva.

O advogado Maurício Pinto argumenta que, na função de relator, caberia a Ihoshi provocar o debate e diversificar os interlocutores, a exemplo da audiência pública realizada no STF sobre a questão das cotas raciais, onde os Ministros relatores convidaram correntes antagônicas para a discussão. No Congresso, esse direito e procedimento foi atropelado. O que menos se falou foi sobre o projeto e seus méritos, sendo incontestável o prejuízo dos objetivos pleiteados.

“Jamais uma Comissão Temática da Câmara realizou audiência pública onde apenas uma corrente de pensamento foi convocada para depor sobre um tema de transcendente importância, num verdadeiro atentado às instituições democráticas, perpetrado por interesses oportunistas e demagógicos”– declarou Saraiva.

Objetivo do projeto é ampliar diretrizes

Ao declarar que havia verba suficiente para o atendimento dos brasileiros, “conforme as atuais diretrizes”, o Sr. Aloysio Gomide Filho, chefe da Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior foi tendencioso e omisso.  Por sua vez o deputado Ihoshi objetivando apenas sua re-eleição desprezou o que deveria ter sido arduamente debatido, negligenciando seu dever enquanto representante da sociedade. Esqueceu-se de comentar o nobre deputado bem como o Ilustre secretário que o Itamaraty, por razões “estratégicas”, é o único Ministério, além da Defesa, que não tem o controle interno realizado pela Controladoria-Geral da União, mas sim por uma unidade chefiada por eles próprios.

O ilustre Sr. poderia ter salientado em seu depoimento o quanto é humilhante um brasileiro pedir assistência a eles lá fora, pois elitistas de carreira desprezam brasileiros e, de maneira geral, têm vergonha do Brasil, país que sustenta a mediocridade dos que vivem nababescamente em países ricos como se fossem seus nacionais. Isso sem mencionar as festanças e banquetes organizados pelo Itamaraty, tudo pago com dinheiro público, sobrecarregando o erário, quando setores úteis à população estão desprotegidos e são mal atendidos no exterior.

O objetivo do projeto é justamente amenizar o sofrimento dos que residem fora do país, o que é uma realidade indiscutível. Para que isso ocorra, é indispensável que se discuta a matéria sem retardo, e a questão deve ser debatida de forma imparcial para que se ampliem as diretrizes, pois a política empregada até o presente momento não atende em absoluto as necessidades imediatas dessa população.

Desigualdade na prestação de assistência

Não se sabe que tipo de pronto auxílio é prestado aos brasileiros no exterior, mas seguramente não é idêntico ao que o Governo dos Estados Unidos coloca à disposição dos seus. Recentemente, uma turista americana atingida pela explosão de um bueiro na cidade do Rio de Janeiro foi acompanhada por um diplomata, enviado imediatamente até o local, para que determinasse a transferência da vítima de um hospital público para outro da rede privada. Não se tem notícia de qualquer consulado brasileiro no mundo que, ao tomar conhecimento de um acidente envolvendo brasileiros, tenha encaminhado um diplomata ao lugar a fim de prestar socorro. As reclamações dos que vivem no exterior são tantas, que criaram uma “Ouvidoria” para atender aos que inutilmente procuram ajuda nos consulados.

Necessidade de solução imediata é ponto pacífico

Apesar da “unanimidade” quantitativamente inexpressiva ser contrária ao projeto, por ocasião da “audiência” orquestrada todos os participantes elogiaram os méritos da proposta 559/2010 e concordam que deve haver um acréscimo nas dotações orçamentárias para o MRE, no sentido de ampliar o atendimento aos patrícios. Há urgência em amenizar o sofrimento dos brasileiros no exterior, e esse é o grande mérito do projeto, ou seja, chamar a atenção e provocar o debate sobre a deficiência da assistência consular. Se em razão disso sobrevier a melhoria dos serviços, toda a discussão em torno do abrangente PLP, embora desequilibrada por ação do deputado Ihoshi, já terá valido a pena.

Saraiva conclui afirmando: “estamos no final do governo Lula e, certamente, muitos serão afastados do comando dos órgãos do executivo, inclusive no MRE. Essa audiência foi preparada de forma equivocada e manipulada. O deputado relator e os demais parlamentares enfrentarão uma eleição e podem não retornar às suas funções. No próximo ano, a CREDN terá outro presidente, e existem muitos recursos regimentais que poderão garantir a ampla discussão do tema no âmbito das Comissões Temáticas, que poderão apreciar a matéria e, inclusive, apresentar voto em separado ou substitutivo como último recurso.”

De qualquer forma, a idéia de Saraiva, acolhida pelo elevado sentido de justiça social do deputado Manoel Júnior, foi o pontapé inicial para que se busquem soluções adequadas à realidade das comunidades brasileiras no exterior
Comentarios (4)Add Comment
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escrito por Ivan Lima , julho 18, 2010
Cada vez mais sinto-me envergonhado com essa nossa classe de parlamentares que se dizem representar a vontade do povo brasileiro. A única vontade que eles sentem, é de meter a mão, sem o menor constrangimento em nosso dinheiro. Quando se trata de defender ou resguardar os direitos de nós brasileiros dentro ou fora do país, se fazem de cegos e surdos. Está mais que na hora de darmos a resposta que eles merecem nas urnas. Infelizmente com perdão da palavra, troca-se apenas a "merda", pois, as moscas são sempre as mesmas. Força amigo Samuel, sempre acreditei no humilde, mas verdadeiro esforço teu para que sejamos um país respeitado. Abraço!
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DEPUTADO DESCARADO
escrito por Isaac Newton Pessoa - Advogado, julho 18, 2010

O Dep.Fed. Walter Ihoshi é um sujeito pragmático, uma qualidade do "bom" político, individualista e oportunista, de olho apenas naquilo que lhe rende votos. Ele estaria errado? rnrnUma postura elegante, virtuosa, plena de solidariedade para com todos os brasileiros da Diáspora, mas contrária a seu eleitorado, seria demais para ele, se infere. Raciocina, com a alma pequena de que nos fala o Fernando Pessoa, que o importante é sua reeleição, é o interesse menor de seus eleitores, mesmo fora do contexto. Não importa a situação dos brasileiros “indocumentados”, metáfora para o que os americanos chamam de "Illegal Aliens", substantivo que significa estrangeiro, algo inaceitavel, ou até extraterrestre. Para ele, preferir a virtude, palavra que para os gregos equivale a justiça, mas ficar sem mandato é como estar cheio de razão, porém mortinho da silva, num acidente de transito, como, por exemplo, numa colisão em que alguém nos atinge lateralmente, entrando sem cautela na preferencial. De que adiante estar cheio de razão, porém morto? Deve ser essa a lógica do Ihoshi. As manobras solertes do deputado fazem parte do jogo. Mas é isso que os eleitores que cobram decência e ética no viver de seus deputados e governantes querem mesmo? Se não é, não apoiem o Ihoshi, ainda que o usem para não pagar a contribuição para a caixinha dos descamisados brasileiros no exílio fora do Japão, embora isso também não seja ético, mas apenas um remédio homeopático, onde se combate o mal com mal semelhante. Ele segue a lógica de rei "Louis XV de France", com seu famoso "Après moi le déluge", uma máxima que vem da Grécia Clássica, num texto de autor desconhecido, ou com o cínico Diógenes, passando por Roma com o fiolósofo Sêneca e o poeta Lucrécio que ensinava o epicurismo, que prega o “aqui e agora” porque a alma se extingue com morte do corpo. Por isso, nada depois da vida aqui nos deve preocupar. A Física Quântica, portanto a Ciência, hoje contraria esse ponto de vista nihilista, porque a matéria, se sabe desde a famosa equação de Einstein E=mc2, é energia condensada e o centro do átomo é luz. A lição é que a alma, o espírito, continua e que os Ihoshi e os mários da vida haverão de dar contas de seus atos. Mas voltemos ao à lei proposta pelo Dep. Manuel Junior,sugerida pelo amazonida Samuel Saraiva. "Que se danem os demais brasileiros no exterior", parece ser o raciocínio do Dep. Ihoshi, "Pois o que me importa são os decasséguis, fonte de meu mandato". Os brasileiros no Japão não se acham sujeitos a esses problemas, não querem o fundo para ajudar os compatriotas em situação difícil em outros países, e isso lhe basta. Mas nós, os demais brasileiros, que acompanhamos o desenrolar da questão, não nos conformamos com manobras e golpes baixos, venham do Ihoshi ou de qualquer outra origem. Queremos, isso sim, lisura no debate, honestidade de propósitos, respeito tanto pelos minorias (os decasséguis) como pelas maiorias (os demais brasileiros no exterior), um passo à frente no processo político brasileiro de colocar a moralidade do representante como "Conditio sine qua" para o exercício do mandato outorgado pelo Povo, do que a nova Lei da Ficha Limpa, de inspiração popular, é exemplo.
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Brasileiro
escrito por Luiz Alfredo , julho 18, 2010

Gente, não há necessidade de tanto alarde! Afinal de contas a porção de trabalhadores brasileiros no Japão, não representa um percentual significativo para obstar ou mesmo derrubar um projeto desta natureza. Seria de grande importância ouvir representantes das porções maiores da sociedade brasileira no exterior. Mesmo porque o deputado membro da Comissão, pela sua própria origem, iria de todas as formas obstar qualquer trabalho que pudesse levar a um resultado que não lhe fosse favorável, bem como a quem representa, isto é: "puxar a sardinha para seu lado". Se este continua sendo um estado democrático, que outros opinem e não somente uns "gatos pingados" de olhos rasgados que não representam a maioria.
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escrito por Luiz Alfredo, julho 19, 2010
Percebo que há boicote no Japão.
Numa das cartas, o sujeito chora as mágoas de pagar tanto imposto por lá e diz que o projeto apresentado pelo Dep. Manoel Junior nem foi divulgado lá.
Significa que, além de jogar para a platéia de dekasseguis, Ihoshi age sorrateiramente para impedir a participação de outras lideranças na discussão do projeto.
Quer dizer: facilita aquela corrente de pensamento que costuma dizer "Não vi, não sei e sou contra".
De um modo geral, acredito que a mudança no comando da Comissão de RE passadas a disputa eleitoral podera melhorar o debate. O deputado Junior precisa cativar os colegas e entrar com tudo para melhorar a compreensão dos brasileiros no Exterior. Quem sabe, ele entrando em contato com a própria representação dos Dekasseguis, a fim de mostrá-los que nem tudo é impostômetro, como diz o povo do Afif Domingues em São Paulo.


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